Textos
ESTRE VOZES E SILÊNCIO
Não me acostumei
a ouvir elogios verdadeiros.
O que chega
vem em murmúrios que ferem,
palavras que se arrastam
por bocas alheias.
Não esperes a morte
para ser celebrado.
Os louvores tardios
são fumaça,
não aquecem,
não iluminam.
Cumpre teu ofício.
Sorve cada instante
como quem bebe água rara.
Vive —
simplesmente vive —
sem medir o peso
dos olhos que te julgam.
A verdade,
quando dita,
incomoda.
O exagero,
quando oferecido,
soa falso.
E há os que nada dizem:
falam com gestos,
silenciam com presença.
É nesse silêncio
que mora a revelação.
Escuta-o.
Ele fala mais alto
que qualquer palavra.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 12/08/2026