Textos
As Perguntas que Moram no Silêncio
Enquanto os meninos corriam atrás da bola,
ele corria atrás de enigmas.
O jogo era simples,
mas sua mente buscava complexidades invisíveis.
Se há mais água que terra,
por que os mares não se derramam?
Se a terra é redonda,
como os rios encontram o mar?
E por que só a chuva cai do céu,
se o céu inteiro poderia desabar?
O inferno, diziam, era quente.
Mas não poderia haver um inferno na Sibéria?
Entre o quente e o frio existe o morno,
entre o bem e o mal, o que existe?
Talvez apenas o medo,
disfarçado de culpa.
Que cores têm os sentimentos?
A saudade seria azul,
o amor vermelho,
a compaixão dourada.
Mas como, diante da beleza das flores,
alguns escolhem o cinza da intolerância?
As perguntas não encontravam eco nos adultos.
Mas no silêncio, havia respostas.
Não respostas prontas,
mas sementes.
Cada dúvida era raiz,
crescendo em direção ao invisível.
E assim compreendeu:
não era louco,
não era estranho.
Era apenas alguém que ousava ver além das margens.
A sanidade não está em ter certezas,
mas em conviver com as perguntas.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 12/05/2026