Poeta matemático
Um matemático que escreve poesias. Um poeta que ama a matemática.
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Textos
OS MORTOS SÃO NOSSOS. (Tarde demais!)
Quando nos revoltamos
e perguntamos — até quando? —
já é tarde: a pergunta nasce
da apatia que nos condena.

A revolta é um eco lento,
um reflexo envergonhado:
só se ergue quando o mundo
já nos feriu por dentro — e ao lado.

Há uma culpa anterior
a todo gesto contido:
a de ver e nada romper,
a de saber — e ter consentido.

Indignar-se é pouco agora.
É preciso ferir a inércia,
rasgar o véu confortável
da moral que nos anestesia.

Porque há sangue no silêncio,
há cadáver sob a calma;
e toda paz que não confronta
já traz violência na alma.

Não lutamos — e nos absolvemos.
Não agimos — e nos perdoamos.
Mas choramos nos velórios
como atores que ensaiamos.

(Carpideiras sem paga.)

Os mortos não são “os outros”.
Nunca foram. Nunca são.
São o preço adiado
da nossa própria omissão.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 15/04/2026
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