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O OFÍCIO E O DESGASTE
Sem ter mais nada a dizer, me calo
e levanto em mim paredes de contenção;
foi no peso do dia, no duro embalo,
que aprendi a erguer e a fechar a mão.
Fui ajudante — carreguei o mundo alheio,
pedreiro — assentei tijolo sobre ilusão,
ferreiro — no fogo, a golpes, moldei o meio
de suportar a vida e sua negação.
Mantive o ofício entre salário e cansaço,
entre o pão contado e o corpo moído;
pouco a pouco fui erguendo o que desfaço.
Hoje olho o tempo — gasto, consumido —
e não há obra que refaça o meu traço:
só resta a voz do que não foi ouvido.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 23/03/2026