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Evangelho do Alforge Vazio
Deixo a saudade em vós —
sinal do que foi vivido;
levo comigo a lembrança
feito fogo adormecido.
Minha carga é quase nada,
meu alforge vai vazio;
quem se enche de ódio e mágoa
não atravessa o seu rio.
Vi muito forte tombar
sob o peso que guardou;
quem cultiva treva no peito
colhe a dor que semeou.
Há uma mão que me guia
mesmo quando não se vê;
saí da casa de Deus —
hoje Deus mora em meu ser.
Não O busco em casa rica,
nem em altar levantado;
Deus não cabe em parede,
nem se vende em mercado.
Não negocio perdão,
nem compro graça ou favor;
toda fé que tem preço
é comércio com a dor.
O que faço ao semelhante
volta inteiro para mim;
dou sem conta nem medida,
sem fazer do ganho um fim.
Quem caminha mais leve
chega mais perto do céu;
larga o peso do mundo,
rasga o medo como véu.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 21/03/2026