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DESGASTE
A longa convivência
Anuvia o amor, normaliza a dor.
Mas o amor sedimenta, lateja oculto,
acomoda-se pela sobrevivência,
e às vezes morre — para salvar a gente.
A paixão, outrora vulcão em erupção,
que magnetizou lavas ardentes,
congela no tempo, vira pedra.
E nelas tropeça a vida amorosa,
quando a ferida medra de repente,
cobrando-nos preço impagável.
Nenhum casal é perfeito.
Alguns carregam menos imperfeições,
mas todos ocultam pequenas ou grandes traições,
negam que o amor fugiu do peito,
e se sujeitam a viver de migalhas:
mesquinhas, frias concessões no leito.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 19/03/2026