Textos
O PASSADO QUE PULSA
Estou aqui, dissolvido no fundo da cena.
Um grito atravessa o espaço, mas ninguém o distingue —
é só vibração, como o eco de uma máquina desligada.
A dor não se apresenta em forma,
ela se espalha como fumaça invisível,
um tom que muda sem anunciar.
As lembranças não são lembranças,
são sombras que se confundem com poeira,
arquivos sem nome,
rostos borrados em paredes que já não existem.
O beijo tem gosto de ausência,
o batom é apenas cor esquecida,
e eu carrego tudo como quem segura água nas mãos.
Totens quebrados,
histórias que se recusam a permanecer,
felicidades que se repetem apenas como miragem.
O tempo chuta a vida para fora do corpo,
o vento levanta poeira nos olhos,
e a lágrima não é despedida,
é só matéria em movimento,
um líquido que insiste em cair.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 27/02/2026