Textos
BAOBÁ
Há árvores que não dão frutos,
outras se armam de espinhos.
Algumas crescem imensas,
impondo respeito pela sombra.
Há as rasteiras, gramíneas,
chamadas de praga por muitos.
As que se despem no outono
são ameaçadas de corte,
quando, na verdade,
adubam o chão e protegem raízes.
Dizem que só servem para sujar.
Assim também são as pessoas:
as que dão frutos são exploradas,
forçadas a produzir sem descanso,
e quando nada mais oferecem,
são descartadas, substituídas.
As cheias de espinhos florescem belas,
mas guardam distância, intocáveis.
As gigantes são derrubadas sem piedade,
transformadas em casas, em abrigo.
As amaldiçoadas, que sustentam encostas,
são como os desprezados da vida:
nascem para ajudar, mesmo ignorados.
As que se tornam desfolhadas
são como os esquecidos pelo tempo:
ninguém recorda da sombra
que um dia ofereciam ao descanso.
E você, com qual árvore se parece?
Com a que dá frutos e é explorada?
Com a que sustenta telhados?
Com a que alimenta e depois é descartada?
— Eu sou todas elas.
Sou as não plantadas,
as que adornam florestas,
as que compõem paisagens.
Sou as verdes, as secas,
as multicores, as retorcidas.
Sou abrigo de pássaros,
sou festa na copa.
Sou cacto, sou baobá.
Sou inteiro uma floresta.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 04/02/2026
Alterado em 04/02/2026