CONFISSÃO
Juro: não queria cometer mais este poema.
Cadeia é pouca por denunciar meu dilema.
Mas não contive a revolta, que foi tamanha,
E disse à coragem: foi uma façanha!
Eu, que sempre tornei cativos meus sentimentos,
Não me contive — e, exatamente nesse momento,
Resolvi expô-los ao mundo, sem medo ou vergonha,
Como quem desperta alguém que acordado sonha.
Confesso meu crime sem pudor, sem destemor:
— Sou culpado, sim, de amar desbragadamente,
Ainda que o amor só existisse em minha mente.
Sou culpado. Podem prender-me, torturar,
Doravante direi o quanto amo loucamente,
Até que alguém, por mim, venha também me amar.