Textos
AUTOABANDONO
Não, ainda não morri — sigo presente,
E guardo em mim um riso descontente;
Não me esqueci da chama que me guia,
Mas raramente aflora em mim a alegria.
Crise por crer que existo? Não faz jus,
Pois lógica não cabe à dor que induz;
É duro estar no mundo e, sem perdão,
Intumescido, afogar-me em emoção.
Há tantas lágrimas dentro de mim,
Que sou um vasto mar sem horizonte;
Escorrem, sem cessar, não têm um fim.
E se há mais acerto que desengano,
Não é tão bom, mas não é todo insano
Perder-se nesse vago e solitário abandono.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 21/01/2026