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POEIRA CÓSMICA
POEIRA CÓSMICA
Sou feito da mesma substância
que curva estrelas e pensamentos.
Em mim, a ordem e a necessidade
respiram sob o nome de tempo.
Sou agora — e sou o antes de tudo,
eco mineral da era mesozoica.
Nada em mim começa do zero:
tudo persiste, tudo se transforma.
Sou da cidade erguida em pressa
e do húmus paciente da terra.
Fera que aprende o afeto,
vida que se sabe finita e, por isso, intensa.
Não sou o outro, nem você —
sou esta singular urgência de ser.
Não o signo que me descreve,
mas a escolha que insiste em acontecer.
Sou possibilidade em angústia,
salto lançado sobre o nada.
Às vezes, guerreiro ferido,
nunca rendido, nunca acabado.
E mesmo quando sou preterido
— fragmento, resto, poeira —
trago comigo o que não se perde:
o legado de ter sido escolha inteira.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 16/01/2026