Poeta matemático
Um matemático que escreve poesias. Um poeta que ama a matemática.
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Textos
VERMELHO SOB A PELE
VERMELHO SOB A PELE

Deus me dotou com tamanha emoção
Que os fluídos do meu corpo carregam
Sal, suor, sangue e água — em ebulição.
Em mim cabem as dores do universo,
De povos e animais que desconheço.
Cada choro cobra alto preço:
Habitar as palavras dos meus versos.
A dor do outro em mim reverbera,
Como se a própria ferida eu sentisse.
Semelhantes a mim, todos têm a mesma cor:
Vermelho sob a pele, sem distinção.
Por mais que tente me conter,
Evitar que transpareça, que escorra,
Em público, sobretudo,
Disfarço a dor com um sorriso mudo,
E repito: “Aguente. Ser feliz é preciso.”
Então choro por dentro, até o globo ocular suportar.
Ah, esse desequilíbrio emocional...
Quando será que vai passar?
Já não sou mais moço, e ainda não aprendi
A esconder a emoção, a chorar sem ruir.
Será apenas essa depressão que me consome,
Ou sou um caso perdido, sem nome?
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 15/11/2025
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