Textos
OS BRUTOS TAMBÉM CHORAM
OS BRUTOS TAMBÉM CHORAM
Já chorei tanto, que já não guardo mais filtros,
chorei por amores — barris, oceanos, litros.
Na dor mais aguda, um balde a cada grito,
um rio nascido de cada suspiro aflito.
Chorei no desespero, esperando a melhora,
chorei acreditando que o fim já não demora,
mas nunca chorei por faltar-me a coragem,
pois choro é também força em sua linguagem.
Chorei em silêncio, em sala de escola,
quando pedi ajuda, quando estendi esmola.
Chorei por ausentes que a memória apagou,
por quem partiu cedo e nunca mais voltou.
Já chorei por ferir e também por ser ferido,
por ofensas lançadas sem motivo ou sentido.
Chorei por estranhos, por gente a padecer,
por dores alheias que aprendi a reconhecer.
Chorei pelo preconceito, pela injustiça fria,
por quem chama o choro de fraqueza ou covardia,
por quem se orgulha, peito erguido, destemido,
dizendo que nunca chorou — mas chora escondido.
Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 17/10/2025