Poeta matemático
Um matemático que escreve poesias. Um poeta que ama a matemática.
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Textos
PASSADO E PRESENTE
PASSADO E PRESENTE

Fui criado comendo passarinho, calango e caçote
Castigado com cinta, cipó, e na cabeça, cocorote.
Merendava gongo com farinha de puba e rapadura,
Caminhava para a roça com a vereda ainda escura.
Curava ferida de topada com limão, iodo e  merthiolate;
Nunca arredei de briga. Partia pra cima trocando murro e bufete.
Briguei muito. Até com cachorro que morde e depois late.
Arranquei peba pelo rabo, cavado com cavador e enxadeco.
Tomei pinga ainda muito moço, com tira-gosto de limão e pimenta.
Assistia ao Chacrinha para depois homenagear suas chacretes
Nos banheiros de madeira, terra e palha, com água fria de poço.
Tudo era pouco, carente, mas seguia a vida sem supetões e alvoroços.
Agora vejo a nova geração mofina, mofada, afetada, celular na mão
Moendo um saco de pipoca, uma cartela de iogurte, pirulito, chocolate...
Quando veem um prato de feijão, arroz, um suculento tutano de osso buco,
Começam a enguiar, dão chiliques, sentem nojo e preferem um prato de miojo.
É tanta frescura e fraqueza que qualquer vento fresco diz logo que está resfriado.
Não sabem o que é tosse braba, ferir a venta na saída do catarro...
Nuca vai espirrar gostoso depois de cafungar umas talagadas de rapé.
Não sabem a sensação de tremer as pernas, de ver saltar o coração
Ao ver a professora, o impossível amor, a platônica paixão...
E logo depois aprumar as pernas, apurar as vistas ao ver outra mulher.
Ah, pobres moços do amor virtual, da negação da realidade, da lacração!

Poeta matemático
Enviado por Poeta matemático em 11/04/2025
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